Sábado, 4 de março de 2017 às 23:19 em Novidades
Tatuagem é Pecado?

O Cristão e as tatuagens

 
 Por William de Souza

Se você parar pra reparar, na cabeça  do evangélico brasileiro, fotos de pessoas tatuadas, com piercings, buracões nas orelhas, cabelos pintados de verde e similares, são características do que seria uma pessoa mundana, pecadora.  
 
E ultimamente tenho visto essa questão vir à tona com muita frequência:cristãos podem se tatuar?
Ao meu ver esse assunto não tem a menor importância para o Evangelho, mas como o tema cresce a cada dia nas nossas igrejas o número de irmãos que ostentam tatuagens, decidi falar sobre o assunto.
E antes de continuar, só pra deixar claro: não tenho tatuagem e nem pretendo ter (já passou pela minha cabeça a muito tempo atrás mas deixa pra lá..rsrs).
 
Ai você logo deve me perguntar: “Por que assunto de menor importância para o Evangelho”.  Então vamos lá, quer uma lista?
 
·         Hoje o que mais vemos na Igreja é a falta de devoção,
·         a leitura da palavra em segundo lugar,
·         falta de temor dos crentes, a oração deixada de lado por muitos,
·         a falta de amor ao próximo então nem se fala,
·         muita falta de reverência pelas coisas de Deus,
·         pastores em púlpito dizendo palavrões e visto com naturalidade pelos membros,
·         o mundanismo invadindo o templo por todos os lados,
·         a supervalorização e o mau uso dos dons(parecem super heróis),
·         o Corpo de Cristo dividido em panelinhas e tudo mais…
 
 E com tudo isso acontecendo pintar a pele é visto como um assunto importante. Pintar a pele escandaliza as pessoas. 
 
Se me perguntarem: Você não gostaria de conhecer os Estados Unidos? “Lógico, depois de visitar uns outros lugares antes”, simplesmente porque não tenho o interesse em gastar meu tempo naquele país. Quero conhecer Fernando de Noronha, o sul do nosso país, conhecer também a Itália, principalemnte Acapulco (ah vá!!! Vai me dizer que você nunca quis conhecer o hotel do Chaves e girar na porta do Hotel?) e porque não Israel também?
 
 Agora voltando...   da mesma forma, muitos da Igreja acham que a questão das tatuagens está entre o TOP FIVE  das preocupações de Deus. E quando vejo a falta de amor ao próximo, a egolatria e a agressividade que têm crescido assustadoramente entre os cristãos olho para o tema das tatuagens e penso “como isso pode ocupar tanto a preocupação de tantos? Há outras preocupações maiores”. Mas tudo bem, vamos lá.
Se eu disser que a Bíblia não diz nada sobre o assunto na hora alguém vai citar Levítico 19.28: “Pelos mortos não ferireis a vossa carne; nem fareis marca nenhuma sobre vós. Eu sou o Senhor”.  É verdade, parece óbvio: Deus manda não fazer nenhuma marca no corpo, a tatuagem é uma marca no corpo, logo é pecado se tatuar.  Concordo.
 
 
Só que para entender esse texto temos que entender o contexto. Versículo isolado não rola, tem que ver o contexto da coisa.
 
Por que Deus estabeleceu essa norma para os israelitas? A resposta é que havia um povo, chamado caldeu, que tinha como hábito religioso cortar a carne de seus próprios corpos e fazer marcas com lâminas afiadas na pele como parte dos seus rituais aos falsos deuses que seguiam (a exemplo do que ocorre atualmente em muitas tribos africanas). Eram marcas que denunciavam idolatria. Em outras palavras, o que Deus está dizendo é que os hebreus não deviam cometer as práticas idólatras dos povos pagãos com que tinham contato. Se fosse em nossos dias, seria mais ou menos como dizer “Não poreis despacho na encruzilhada” ou “Não rezareis para santos mortos” e blá, blá e blá.
 
Se formos ler o versículo imediatamente anterior, teríamos hoje de cumprir o que ele determina: “Não cortareis o cabelo em redondo, nem danificareis as extremidades da barba” (Lv 19.27). Bem, não vejo nenhum pastor pregar contra cabelos arredondados ou contra fazer a barba – pelo contráriona Assembleia de Deus por exemplo é até mal visto usar barba.  Ou, ainda, teríamos hoje de guardar o sábado, visto que dois versículos depois, em Levítico 19.30, Deus especifica: “Guardareis os meus sábados e reverenciareis o meu santuário. Eu sou o Senhor”. 
 
A conclusão é que, biblicamente, não: o ato de se tatuar em si não constitui pecado.
 
Ok, agora vão me dizer que nosso corpo é templo do Espírito e que fazer tatuagens nele seria pecar contra o mesmo.  Então beleza não podemos comer comida salgada e ingerir açúcar (muito menos adoçantes), comer pizza (cheia de gordura que causa obesidade e entope artérias), tomar refrigerante (das coisas que ingerimos uma das mais maléficas) ou comer torresminho (um pedido explícito para se ter um AVC). Comer no McDonald´s então seria pecado sem perdão(Ai Jesus, já era vou pro inferno, rsrs). 
 
Logo, devemos olhar esse argumento com muito cuidado. Segundo, no contexto de 1 Coríntios 6.19, o que está sendo tratado, são questões de natureza sexual.
 
Veja os versículos anteriores, a partir do 15: “Vocês não sabem que os seus corpos são membros de Cristo? Tomarei eu os membros de Cristo e os unirei a uma prostituta? De maneira nenhuma! Vocês não sabem que aquele que se une a uma prostituta é um corpo com ela? Pois, como está escrito: “Os dois serão uma só carne”. Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele. Fujam da imoralidade sexual. Todos os outros pecados que alguém comete, fora do corpo os comete; mas quem peca sexualmente, peca contra o seu próprio corpo”. 
 
Até algumas décadas atrás, nas sociedades ocidentais, os grupos que se tatuavam geralmente apresentavam um comportamento bastante mundano. Eram, em especial, marinheiros, que quando aportavam em alguma cidade podiam ser vistos em prostíbulos ou bastante bêbados, com atitudes bastante réprobas.. Só que o problema desses indivíduos não eram as tatuagens, era seu comportamento antibíblico.
 
Portanto, não podemos dizer que biblicamente ou culturalmente haja condenação para o uso da tatuagem.
 
Mas, antes que muitos fiquem alegrinhos por aí, a Bíblia nos alerta que existem coisas que “são lícitas mas não nos convém”. Devemos estar atentos para não levar os irmãos à murmuração, ao escândalo, ao julgamento. Muitas vezes o fazem por tradição, outras por ignorância ou mesmo por diferença de gerações, mas, independente da razão, o que importa é termos paz com todos. 
 
Romanos 8.13, nos alerta: “Portanto, deixemos de julgar uns aos outros. Em vez disso, façamos o propósito de não colocar pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão. Como alguém que está no Senhor Jesus, tenho plena convicção de que nenhum alimento é por si mesmo impuro, a não ser para quem assim o considere; para ele é impuro. Se o seu irmão se entristece devido ao que você come, você já não está agindo por amor. Por causa da sua comida, não destrua seu irmão, por quem Cristo morreu. Aquilo que é bom para vocês não se torne objeto de maledicência”.
 
Repare as palavras de Paulo: é mais importante não gerar maledicência ou escândalo entre os irmãos do que fazer aquilo que não tem nenhum problema segundo a Bíblia.
 
 O mesmo ele repete pouco depois, no capítulo 14: “Como alguém que está no Senhor Jesus, tenho plena convicção de que nenhum alimento é por si mesmo impuro, a não ser para quem assim o considere; para ele é impuro. Se o seu irmão se entristece devido ao que você come, você já não está agindo por amor. Por causa da sua comida, não destrua seu irmão, por quem Cristo morreu. Aquilo que é bom para vocês não se torne objeto de maledicência. Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo; aquele que assim serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens. Por isso, esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua. Não destrua a obra de Deus por causa da comida. Todo alimento é puro, mas é errado comer qualquer coisa que faça os outros tropeçarem. É melhor não comer carne nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa que leve seu irmão a cair. Assim, seja qual for o seu modo de crer a respeito destas coisas, que isso permaneça entre você e Deus. Feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova”.
 
O que a Biblia diz? Tatuar-se é pecado? Não. Tatuar-se culturalmente no Brasil é sinal de devassidão moral? Não. Mas ainda há aqueles que se escandalizam ao ver na igreja quem se tatue? Sim. Portanto, o grande problema de o cristão se tatuar não passa por “poder ou não poder”, passa pelo amor ao próximo. 
 
Se seu irmão está se escandalizando, ele está pecando e se ele está pecando você também está por que o fez pecar. (Entendeu o negócio?!!) leia Mateus 5:29-30
 
É o mesmo caso de mulheres usarem saias ou calças em igrejas mais conservadoras.
do mesmo modo que a tatuagem, se você opta voluntariamente por ser membro de uma congregação onde a norma seja a mulher usar saia, se usar calça estará sendo desobediente às regras da assembleia onde está e, portanto, em rebeldia – e pecará por levar os irmãos ao escândalo e à murmuração.
 
A conclusão é: se o meio que você frequenta tem usos e costumes, não afronte, faça parte. Se discordar, saia e procure outro meio. Ou fique, adote o hábito e tente com amor ir influenciando os irmãos no conhecimento da verdade. O confronto jamais é o caminho. Por uma razão simples: é pecado.
 
 
Li um artigo muito interessante que em inglês, chama-se “O que tatuagens realmente dizem”.
Em uma das partes interessantes o autor lembra alguns pontos relevantes:
1. Você vai envelhecer e se tornar um avô ou avó. E ninguém quer identificar seus avós como aqueles que têm “uma caveira ou arame farpado”.
2. Lembre-se que, na medida em que envelhece, seu corpo muda. Sua tatuagem vai acompanhar as mudanças. Cuidado, pois ao passo que sua pele se torna mais flácida, a borboleta em seu ombro pode se transformar num pterodáctilo e sua rosa pode virar o planeta Saturno.
3. De jeito algum tatue o nome de um namorado ou noivo. Se o relacionamento acabar, seu futuro marido ou esposa não vai gostar nada disso.
 
 
Tatuagens dizem algo a nosso respeito. Que necessidade tentamos suprir com elas? Qual é a psicologia das tatoos?.  De onde vem essa necessidade?  
 
A resposta é que somos incompletos, a menos que pertençamos a algo ou alguém,  nosso desenvolvimento depende disso.  A nossa cultura ama se expressar, não porque desejemos amar o próximo por meio dessa expressão, mas porque amamos ser o centro das atenções.
 
 No final, essa profunda necessidade humana de pertencimento e expressão não será alcançada por meios humanos somente quando o amor passar a habitar em você. E não qualquer tipo de amor, mas o amor de Cristo. Esse amor lhe convida a pertencer a um Deus eterno e a expressar Seu amor e Seus propósitos eternos.
 
Tatuado ou não, o amor é a marca que identifica você com Cristo. Um amor expressado por boas obras em benefício do próximo deixa uma marca que jamais se apagará.
 
A Paz...
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